Nos últimos anos, as cigarras no olival deixaram de ser consideradas um problema ocasional para se tornarem uma preocupação crescente em muitas regiões olivícolas da Península Ibérica e do Mediterrâneo. Embora durante décadas tenham sido vistas como uma praga secundária, a expansão das novas plantações, a intensificação dos sistemas de produção e algumas alterações nas práticas agrícolas contribuíram para um aumento dos danos, especialmente em oliveiras jovens.
As consequências podem ser significativas. A redução do crescimento vegetativo, a deformação dos ramos, o atraso na formação da árvore e a necessidade de podas corretivas ou substituição de plantas são situações cada vez mais frequentes em explorações afetadas.
Neste artigo explicamos o que é a cigarra do olival, porque está a aumentar a sua presença, quais os danos que provoca e quais as estratégias preventivas mais eficazes para proteger as novas plantações.
O que é a cigarra do olival?
A espécie mais frequentemente associada aos danos observados nos olivais é a Cicada barbara, um inseto pertencente à ordem Hemiptera e vulgarmente conhecido como cigarra.
Embora os adultos sejam facilmente identificados pelo seu característico canto durante os meses mais quentes do verão, a maior parte do seu ciclo biológico decorre debaixo do solo. Durante vários anos, as ninfas alimentam-se das raízes antes de emergirem para completar o seu desenvolvimento.
Ao contrário de muitas outras pragas agrícolas, o principal problema não resulta da alimentação dos adultos, mas sim da postura de ovos efetuada pelas fêmeas nos rebentos e ramos jovens.
Porque estão a aumentar os problemas com cigarras nos olivais?
Os técnicos agrícolas têm observado um aumento gradual da presença de cigarras em diversas zonas produtoras de azeite.
Este fenómeno parece estar relacionado com vários fatores:
- Expansão dos olivais intensivos e superintensivos.
- Aumento das plantações jovens mais vulneráveis aos ataques.
- Maior utilização de coberturas vegetais permanentes.
- Incorporação frequente de restos de poda triturados no solo.
- Menor mobilização do terreno em determinados sistemas agrícolas.
- Condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das ninfas.
A combinação destes fatores cria ambientes ideais para a proliferação das populações de cigarras.
Ciclo biológico da cigarra no olival
Conhecer o ciclo biológico da Cicada barbara é essencial para implementar medidas preventivas eficazes.
Fase ninfal
As ninfas vivem enterradas no solo durante vários anos, alimentando-se das raízes de diferentes espécies vegetais, incluindo a oliveira.
Esta fase representa a maior parte do ciclo de vida do inseto.
Emergência dos adultos
Com a chegada do verão, normalmente entre junho e agosto, as ninfas emergem do solo e transformam-se em adultos.
É frequente observar exúvias presas aos troncos, tutores ou vegetação circundante, um sinal claro da presença da praga.
Reprodução e postura de ovos
Após o acasalamento, as fêmeas realizam pequenas incisões nos rebentos tenros para depositar os ovos.
É precisamente esta postura que provoca a maioria dos danos observados nas oliveiras jovens.
Principais danos causados pelas cigarras em oliveiras jovens
As oliveiras adultas geralmente suportam bem a presença de cigarras. No entanto, as árvores jovens, enxertos recentes e plantas de reposição são muito mais sensíveis.
Entre os sintomas mais comuns destacam-se:
Secagem dos ramos
As incisões provocadas durante a postura podem interromper parcialmente a circulação da seiva, causando o secamento progressivo dos rebentos afetados.
Perda do crescimento anual
Quando os danos atingem os rebentos principais, a árvore pode perder uma parte importante do seu crescimento vegetativo anual.
Deformação da estrutura da árvore
A perda de ramos jovens pode comprometer a formação adequada da oliveira e obrigar à realização de podas corretivas.
Redução do vigor vegetativo
As plantas afetadas apresentam normalmente um crescimento mais lento e menos uniforme.
Atraso na entrada em produção
Em plantações jovens, os ataques repetidos podem atrasar a formação da árvore e o início da produção comercial.
Fatores que aumentam o risco de danos
Nem todos os olivais apresentam o mesmo nível de risco.
Os danos tendem a ser mais frequentes em parcelas que apresentam uma ou mais das seguintes características:
- Solos argilosos ou pesados.
- Histórico de ataques anteriores.
- Cobertura vegetal permanente.
- Elevada matéria orgânica.
- Incorporação frequente de resíduos de poda.
- Excesso de vigor vegetativo.
- Presença de rebentos tenros durante o período de postura.
Identificar estes fatores permite adaptar as medidas preventivas às condições específicas de cada exploração.
Como detetar a presença de cigarras atempadamente
A deteção precoce é uma das ferramentas mais eficazes para minimizar os danos.
Recomenda-se a observação de:
- Adultos durante os meses de verão.
- Exúvias nos troncos e tutores.
- Pequenas incisões nos ramos jovens.
- Secagem repentina dos rebentos.
- Redução anormal do crescimento vegetativo.
As inspeções regulares entre julho e setembro permitem antecipar problemas antes que os danos se tornem significativos.
Estratégias para prevenir danos causados pelas cigarras no olival
A prevenção continua a ser a melhor forma de reduzir o impacto desta praga.
1. Monitorização contínua
A observação periódica da exploração permite identificar aumentos populacionais e agir preventivamente.
2. Gestão equilibrada das coberturas vegetais
As coberturas vegetais oferecem importantes benefícios agronómicos, mas devem ser geridas adequadamente para evitar condições favoráveis ao desenvolvimento da praga.
3. Gestão adequada da poda de formação
Em zonas com elevada incidência, pode ser útil ajustar determinadas operações de formação para reduzir a exposição dos rebentos mais vulneráveis.
4. Proteção física das oliveiras jovens
Nas novas plantações, a proteção física tornou-se uma das medidas preventivas mais eficazes e sustentáveis.
Porque é que a proteção física é a solução mais eficaz?
As barreiras físicas proporcionam proteção contínua durante todo o período de risco.
Entre as suas principais vantagens encontram-se:
- Impedem o acesso aos rebentos mais sensíveis.
- Reduzem significativamente a postura de ovos.
- Protegem o crescimento vegetativo anual.
- Não provocam resistências.
- Não afetam insetos auxiliares ou polinizadores.
- São compatíveis com agricultura convencional, integrada e biológica.
- Mantêm a sua eficácia independentemente das condições meteorológicas.
Por estas razões, a proteção física é cada vez mais utilizada em novas plantações de oliveira.
Vantagens da Cobertura Tubular DNT Agro para proteger oliveiras jovens
A Cobertura Tubular DNT Agro foi desenvolvida especificamente para proteger as plantas durante os primeiros anos de desenvolvimento.
Perante os danos causados pelas cigarras, funciona como uma barreira física que dificulta a postura de ovos nos rebentos e caules jovens, reduzindo significativamente o risco de danos.
Além disso, oferece benefícios adicionais importantes:
- Proteção contra coelhos e roedores.
- Redução dos danos provocados por herbicidas.
- Menor stress causado pelo vento.
- Melhoria do microclima em redor da planta.
- Crescimento mais reto e uniforme.
- Maior taxa de sucesso na instalação da plantação.
Estas características fazem da manga tubular uma solução completa para a proteção das oliveiras jovens.

Boas práticas de instalação
Para maximizar a eficácia:
- Instalar a manga no momento da plantação.
- Verificar regularmente o seu estado.
- Garantir uma fixação correta ao tutor.
- Ajustar a altura ao crescimento da árvore.
- Substituí-la ou removê-la quando a oliveira ultrapassar a fase de maior risco.
Uma instalação adequada garante uma proteção eficaz durante os anos mais sensíveis.
Perguntas frequentes sobre as cigarras no olival
As cigarras podem matar uma oliveira?
Em árvores adultas é pouco frequente. Contudo, em oliveiras jovens podem comprometer seriamente o seu desenvolvimento.
Qual é o período de maior risco?
Normalmente entre julho e setembro, coincidindo com a emergência dos adultos e a postura dos ovos.
Os inseticidas são eficazes?
A sua eficácia costuma ser limitada, uma vez que os principais danos resultam da postura e não da alimentação dos adultos.
A manga tubular é compatível com agricultura biológica?
Sim. Trata-se de uma solução de proteção física sem qualquer ação química.
É aconselhável combinar várias medidas preventivas?
Sim. Os melhores resultados são obtidos através da combinação de monitorização, boas práticas agronómicas e proteção física das plantas.
Conclusão
A crescente presença de cigarras no olival representa um desafio importante para muitos produtores, sobretudo em plantações jovens. Embora os danos possam inicialmente parecer pouco significativos, as suas consequências sobre o crescimento, a estrutura da árvore e a futura produtividade podem ser consideráveis.
A melhor estratégia passa por atuar de forma preventiva, conhecer os fatores de risco e proteger as oliveiras durante os seus anos mais vulneráveis. Neste contexto, as mangas tubulares consolidaram-se como uma das soluções mais eficazes, sustentáveis e rentáveis para reduzir os danos provocados pelas cigarras e garantir uma correta instalação da plantação.
Investir na prevenção hoje significa assegurar um olival mais uniforme, produtivo e rentável no futuro.
